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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sina: Capítulo 2 - Catherine

Por: Marcelo Berquó
Catherine não esperava o que aconteceria naquela tarde fria quando foi para o pequeno pub que ficava perto de sua casa. Ela bebia tranquilamente, sentada na primeira mesa do pequeno bar, e demorou um pouco para notar o homem alto e pálido que entrava no lugar, até ele olhar para ela e começar a arquejar, respirando com dificuldade, até desmaiar no chão do pub.
Ao acordar, o homem olhou fixamente para o rosto de Catherine, com uma expressão mista de alegria e dor e disse, numa voz fraca: “Minha querida, está viva...” desmaiando novamente em seguida. A moça se sentiu confusa, com várias perguntas surgindo ao mesmo tempo em sua cabeça: quem era esse misterioso homem? Por que ele teve essa reação tão drástica? E, o mais estranho, por que ele parecia tão familiar a Catherine? Todas essas perguntas haveriam de ser respondidas, mas, antes disso, Catherine precisava se acalmar, pois percebeu que suava frio. Enquanto o homem à sua frente repousava, ela tentava organizar seus pensamentos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sina: Capítulo 3 - O Despertar

Por: Marcelo Berquó
William se levantou lentamente, a cabeça latejando no lugar onde atingira o chão. Ao olhar para o lado, notou a moça ruiva que olhava fixamente para seu rosto, sentada num canto, e, olhando ao redor, percebeu que o quarto lhe era estranhamente familiar. Ele viu três pinturas na parede, que ele deduziu que fossem da própria casa, da moça à sua frente e de uma velha senhora de aparência serena.
Dirigiu-se à moça e perguntou-lhe seu nome. Ela respondeu, parecendo assustada: “Me chamo Catherine” William replicou: “Muito prazer Catherine, meu nome é William Nuut. Desculpe-me se a assustei, pois por um momento pensei que você fosse alguém que eu conhecia. Porém, obviamente me equivoquei, pois essa pessoa há muito faleceu.”
Catherine parecia ainda um pouco preocupada quando Will pediu que o levasse até seu carro, e sugeriu que ele permanecesse em repouso por mais algumas horas. Will disse a ela: “Sinto muito, mas já fui demasiadamente incômodo”, entrou no carro e foi embora. Catherine ficou parada, olhando para o carro de William enquanto ele se afastava. Ela tinha a estranha sensação de que aquele misterioso homem escondia algo obscuro, e ela pretendia descobrir. Lentamente, ela caminhou de volta para dentro de sua mansão, pensando em Will e em como ele lhe parecia familiar, apesar de nunca tê-lo visto antes.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sina: Capítulo 5 - Revelação

Por: Marcelo Berquó 

Catherine estava sentada em sua casa e à sua frente se encontrava aberto um antigo baú de madeira, de onde ela tirava diversas cartas, fotografias e documentos antigos. No meio de tantas coisas, encontrou o que queria: uma carta que sua bisavó, Agatha, de quem Catherine herdara a casa, havia escrito para o antigo proprietário da mansão, e grande amigo, Robert. A julgar pela aparência do envelope e pelo estado da carta, deduziu que ela tinha pelo menos um século de idade.
Na carta, Agatha descrevia como aquela região era pacífica e agradecia muito ao velho amigo por lhe ter vendido a casa. Ela dizia ainda que, quando quisesse, Robert podia levar seu filho William para lá, para que pudesse matar a saudade de quando criança. Junto com a carta, havia uma foto de Agatha, Robert e um garotinho que devia ter no máximo oito anos. Atrás da foto havia uma dedicatória: “À minha grande amiga Agatha, uma recordação. Para que nunca se esqueça de mim e de meu querido filho William. Assinado, Robert Durden Nuut.” Ao ver o segundo sobrenome de Robert, Catherine virou a foto mais uma vez e notou a espantosa semelhança que havia entre o homem retratado ali e o que saíra de sua casa havia poucas horas.
Vários pensamentos começaram a surgir descontroladamente na mente de Catherine. Ela só podia estar louca: a foto era de mais de cem anos atrás e o homem de quem Catherine cuidara tinha quarenta, no máximo. Catherine percebeu que suava frio de novo, com a possibilidade de saber, afinal, por que William era-lhe tão familiar. Após recolocar as cartas e fotografias no baú, Catherine guardou-o e foi se deitar, pois estava exausta, e sua cabeça estava revoltosa pelo turbilhão de pensamentos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sina: Capítulo 6 - Uma Alma Perdida Se Encontra

Por: Marcelo Berquó

William estava deitado em sua cama, olhando fixamente para o teto. Em sua mente fluíam pensamentos sobre sua antiga casa, da qual saíra, mais cedo, naquele mesmo dia. Pensava em Catherine, a moça ruiva que lá morava, e em como ela lembrava-lhe de seu grande amor. Will tinha um dom que às vezes lhe era bem útil. Desde que perdeu sua alma, ele conseguia enxergar a das outras pessoas. Decidiu que na manhã seguinte voltaria à velha casa para que pudesse ler a alma de Catherine, pois desconfiava que ela fosse muito mais do que uma simples moça de bom coração. Com esses pensamentos na cabeça, logo adormeceu.
Na manhã seguinte, Will se levantou mais tarde do que pretendia, pois estivera exausto no dia anterior, não teve tempo de ir à casa de Catherine, mas, logo após o almoço, pensou que seria uma boa hora para uma visita. Levantou-se, pegou a arma e saiu com seu carro em direção à pequena cidade.
Lá, procurou informações sobre a casa Catherine no pequeno pub onde desmaiara quatro dias atrás. O barman desenhou-lhe um mapa em um guardanapo, e Will agradeceu, saindo novamente. Quando se aproximava da casa, Catherine saiu e se aproximou de seu carro. Will cumprimentou-a e ela convidou-o para entrar. Depois de entrar, Catherine ofereceu-lhe algo para beber e Will aceitou. Então, começaram a conversar sobre vários assuntos, desde o tempo até discussões elaboradas sobre o universo e a origem da vida. Quando Will se levantou para ir embora, Catherine insistiu que ele ficasse mais um pouco e então lhe beijou os lábios com carinho. Will não esperava aquilo, mas retribuiu o beijo e decidiu ficar.
No dia seguinte, Will disse a Catherine que precisava realmente ir embora e prometeu voltar mais tarde. Ao se despedir de Catherine e se dirigir ao carro, Will tinha a certeza de uma coisa: Catherine tinha a alma que um dia fora de sua grande amada. Dirigindo pela estrada, Will pensava em Catherine e na noite anterior, e não pôde conter o sorriso.

sábado, 13 de agosto de 2011

Sina: Capítulo 8 - Um Amor Renascido

Por: Marcelo Berquó 

Catherine ficou à espera de Will durante todo o dia, lembrando da maravilhosa noite que tiveram. Ela sentia que havia algo de especial naquele homem, e que logo iria descobrir o que era.
Quando entardeceu, Catherine já estava quase desistindo da idéia de que Will ainda viria. De repente, ouviu o ronco de um motor vindo do lado de fora. Imediatamente ficou feliz de novo, e enquanto via o carro de Will se aproximar, abriu a porta e foi ao seu encontro. Eles se beijaram por alguns segundos e então Catherine disse: “Eu já estava começando a sentir sua falta.” E Will logo respondeu: “Bem, eu estou aqui não estou?” Ambos seguiram em direção à casa, de mãos dadas. Catherine ofereceu-lhe uma bebida, como no dia anterior, e Will novamente aceitou. Conversaram bastante sobre várias coisas, mas dessa vez Will não fazia menção de ir embora. Depois de algumas horas de conversa, Will disse, num tom sério: “Catherine, agora eu preciso te contar uma coisa importantíssima. E eu espero do fundo do coração, que não pense que sou louco.” Catherine achou o pedido um tanto estranho, mas não fez objeções, e como já tinha uma teoria formada, essa era a hora de comprová-la.
Depois que Will contou toda a história, lágrimas escorreram pelo rosto de Catherine. Lágrimas de emoção. Ele esperou que ela se acalmasse um pouco e então perguntou: “Você acredita mesmo em mim?” e Catherine respondeu: “Claro que acredito! Eu sabia que você não me era estranho, e agora eu tenho certeza! Isso é maravilhoso, Will, e eu estou realmente feliz que você tenha reencontrado seu grande amor. E, devo confessar, estou mais feliz ainda que seja eu!” Will deu um sorriso e, pela primeira vez em muito tempo, se sentiu feliz de verdade, de novo ao lado de seu grande amor. Eles se beijaram novamente, e Will não tinha mais que se preocupar em ser solitário, em se perder nos seus pensamentos tristes. Agora tinha sua alma de volta.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sina: Epílogo

Por: Marcelo Berquó 

É uma noite fria de Dezembro. A temperatura gira em torno de 0° e um casal caminha na neve de braços dados. O homem protege a mulher do frio. Will e Catherine se olham e, sem dizer uma palavra, cada um sabe exatamente o que há na mente do outro: “Eu te amo.” Catherine não esperava que um simples ato de bondade mudasse sua vida para sempre. Will ainda possuía sua mansão e sua enorme fortuna. E agora, assim como antigamente, tinha uma mulher por quem sentir o mais puro e sincero amor. Os dois caminham em direção à antiga mansão, que não era mais solitária, e em breve ganharia um novo morador: o filho de Will e Catherine.
FIM