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segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Destino De Robert: Prólogo

Por: Marcelo Berquó


Era uma tarde agradável, brisa suave e temperatura amena. As folhas das árvores dançavam mansamente, e Robert olhava-as despreocupadamente. Robert Crowley era um homem de família, honesto e verdadeiro. Tinha uma esposa adorável que amava e respeitava muito, e pretendia ter filhos com ela muito em breve. Robert nunca foi um homem religioso, nunca acreditou em astrologia e no dito “sobrenatural”. Para ele as coisas aconteciam simplesmente porque era hora de elas acontecerem. Porém, um acontecimento extraordinário mudaria sua vida para sempre. Naquela tarde clara de outono, Robert caminhava tranquilamente pela rua, quando uma bela cigana de cabelos negros abordou-o e disse: “Robert Crowley, um futuro negro o aguarda. Tenhas muito cuidado, pois podes perder tudo que mais prezas na vida.” Em seguida, a mulher misteriosa desapareceu nas sombras de uma viela.
Com as palavras da mulher ecoando na cabeça, Robert foi para casa e contou a sua esposa o estranho acontecido. Espantadíssima, ela lhe disse que sonhara com uma cigana que fazia uma previsão sombria para o futuro da família, e em seguida se fundia com as sombras da noite. Robert achou que era besteira, que tinha sido apenas um sonho. Porém ele nunca havia visto a misteriosa cigana antes, e ela não tinha possibilidade de saber seu nome.
Vários meses se passaram após o acontecido, e Robert cada vez mais se convencia de que o fato de a desconhecida mulher saber seu nome tinha sido apenas uma estranha coincidência. Sua mulher estava grávida de gêmeos, e daria à luz em três meses. Porém, Robert descobriria da pior maneira possível o quanto estava enganado. Um dia chegou em casa mais cedo, e ao subir a pequena escada que levava à porta da frente, notou que a fechadura estava destroçada, a porta entreaberta. Entrando em casa, viu que todas as coisas estavam reviradas e jogadas por toda parte. Chegou à sala e notou uma mancha enorme de sangue no tapete, que vinha do quarto. Abriu a porta e viu um homem com a cabeça coberta por um capuz, que segurava um punhal ensangüentado. No chão, à frente do homem, estava sua mulher coberta de sangue e já quase sem vida. Robert olhou em seu rosto e disse, com os olhos cheios de lágrimas: “Meu amor, agüente firme. Você consegue sobreviver!” e ela disse, com voz fraca: “Robert, não se iluda. Você sabe que eu não sobreviverei. A cigana estava certa, Robert: nosso futuro não tem nada de feliz.” E com um último suspiro, a mulher fechou os olhos pela última vez. Robert olhou fundo nos olhos do homem com o rosto completamente desolado, e só o que conseguiu dizer foi: “Por quê?” Com um sorriso irônico em seu rosto, o homem encapuzado respondeu: “Porque era hora de acontecer.” Dizendo isso, o homem saiu pela porta do quarto e desapareceu, deixando Robert completamente horrorizado, sem conseguir dizer uma palavra sequer.

domingo, 10 de julho de 2011

O Destino De Robert: Capítulo 1 - Memórias Frias

Por: Marcelo Berquó

A noite estava escura e fria, o céu, sem estrelas e o clima, pesado. Robert estava sentado na mesa de sua sala de estar, pensando no acontecimento de anos atrás, quando um ladrão assassinara sua esposa, selando o destino que a cigana desconhecida havia previsto para sua família. Naquela noite, Robert deixara de ser um homem cético, que não acreditava em destino, e nem no dito sobrenatural. Para Robert, as coisas aconteciam simplesmente porque deviam acontecer. Mas isso era antes. Antes de perder sua esposa. Antes de ter sua família destruída.
O diálogo ainda estava fresco em sua cabeça, como se tivesse acontecido minutos atrás. “Por quê?” dissera ele, com os olhos fixos no rosto do homem. “Porque era hora de acontecer.” Respondeu-lhe o assaltante, com um sorriso irônico em seu rosto.
Robert se levantou e caminhou em direção ao seu quarto. Não morava mais na mesma casa de antes. Não suportaria conviver com as lembranças que aquele lugar trazia à sua mente. Agora ele morava em uma casa antiga, na pequena floresta perto de sua cidade. Deitado em sua cama, Robert tinha a familiar sensação de vazio dentro do peito, mas conseguiu dormir em poucos minutos. Na noite gelada, um lobo uivava solitário e a neve começava a cair, fina como gotas de chuva.

sábado, 9 de julho de 2011

O Destino De Robert: Capítulo 2 - O Corvo

Por: Marcelo Berquó
Na manhã seguinte, após se levantar, Robert notou que um corvo estava pousado em sua janela. Ficou ali parado, observando a escuridão e a tristeza daquele pássaro, aquele maldito pássaro negro. Lembrou-se de Edgar Allan Poe em seu conto: “Depois essa ave negra, seduzindo meu triste semblante, acabou por me fazer sorrir, pelo sério e severo decoro da expressão por ela mostrada. ‘Embora seja raspada e aparada a tua crista’, disse eu, ‘tu, covarde não és nada. Ó velho e macabro Corvo vagando pela orla das trevas! Dize-me qual é teu nobre nome na orla das trevas infernais! ’.  E o Corvo disse: ‘Nunca mais.’”
Assim como no conto, ele sorriu ao ver a ave maldita pousada em sua janela. E assim como dissera o corvo, “Nunca mais”. Robert nunca mais teria uma família, nunca mais veria sua esposa de novo, nunca mais conseguiria ser feliz. Com raiva em seu coração, Robert olhou na direção do corvo, e invejou aquele animal que podia ir a qualquer lugar que quisesse com suas asas. A ave saiu voando em direção ao céu cinzento, desaparecendo de vista em seguida. Robert pensou em como era miserável, e devaneava sobre a sua própria existência, sua inútil e vã existência naquele lugar, e se questionava se ele era tão importante ao mundo para continuar vivendo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Destino De Robert: Capítulo 3 - A Taberna

Por: Marcelo Berquó
Com o som do carro no máximo, com fundo musical de The Four Horsemen, Robert dirigia em direção ao nada, pensando em sua vida patética. A estrada era sinuosa e fazia curvas a todo o momento, e Robert pensava consigo mesmo que, se ele simplesmente deixasse que o carro fosse numa dessas curvas, ninguém se importaria. Mas ele nunca faria isso, já que suicídio nunca fora uma opção para ele. Apenas vagando em pensamentos, ele resolveu parar numa taberna que vira na beira da estrada. Ao entrar no lugar sujo e fétido, se dirigiu ao balcão e pediu que o barman lhe trouxesse um pouco de seu melhor whisky. Voltando com uma garrafa de Jack Daniel’s na mão, o barman pegou um copo sujo de óleo, sangue e outra coisa, provavelmente urina. Robert imediatamente sacou sua Desert Eagle e apontou-a para a cabeça do homem à sua frente, que ficou totalmente sem ação. Robert disse: “Me dá a porra de um copo limpo, seu filho da puta, antes que a parede do seu barzinho de merda ganhe uma decoração nova.” O barman, rápido como um raio, pegou um copo reluzente do balcão e o estendeu a Robert, cheio de whisky, que naquela luz, parecia quase dourado.
Robert passou à tarde na taberna com a garrafa de 1L de Jack que o barman lhe dera, como cortesia da casa. À sua volta, todo tipo de bêbados e vagabundos cambaleavam trôpegos. Mas isso não o incomodava; na verdade, ele se divertia, já que ele mesmo já estava ficando um pouco bêbado. Robert resolveu fazer algo por pura diversão: sacou sua arma e disparou o barril inteiro contra o teto da taberna. O barman, enfurecido, gritou: “SEU FILHO DA PUTA MALUCO! PARE DE ATIRAR NO MEU BAR SEU DESGRAÇADO!” Robert então recarregou sua arma e começou a atirar nas janelas. Todas explodiram com os tiros, e o barman começava a ficar vermelho de fúria com aquele homem louco. Robert então começou a gargalhar insanamente, enquanto o barman se aproximava dele com os punhos erguidos, pronto para encher-lhe de socos. Robert apenas continuou rindo, o que estourou o pavio do barman, que partiu para cima dele. Enquanto apanhava, Robert apenas ria como um louco, e o barman o esmurrava e chutava com todas as forças. Quando Robert caiu no chão sangrando, o homem se deu por satisfeito e se afastou. Robert apenas se levantou, limpou o sangue de seus vários ferimentos e calmamente foi até o banheiro se lavar. Ao voltar, descarregou o resto de sua munição nas costas do velho gordo e sujo que lhe dera 1L de whisky de graça.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Destino De Robert: Capítulo 4 - A Partida

Por: Marcelo Berquó
Com uma morte em suas costas (a primeira, mas, com certeza, não a última), Robert havia decidido o que fazer: ele sairia pelo país, talvez até pelo mundo, para encontrar a cigana que havia previsto seu futuro tão horrendo e, logo em seguida, sairia à caça do assassino de sua mulher. E Robert jurou a si mesmo que faria com que os dois sofressem mais do que sua mulher havia sofrido. Mais até do que ele próprio sofrera até ali. E qualquer um que entrasse em seu caminho conheceria as conseqüências de tentar parar um homem que clama por justiça.
Robert estava em seu quarto, guardando todos os seus pertence em malas e caixas, já que não voltaria àquela casa por um bom tempo. Com os olhos marejados, ele beijou a única foto que guardara de sua esposa, saindo em seguida. Virou-se e deu um último suspiro de adeus, como se quisesse se despedir da casa. Robert entrou no carro e partiu, em direção ao seu destino.

domingo, 3 de julho de 2011

A Caçada De Robert: Capítulo 1 - A Iniciação

Por: Marcelo Berquó
Robert estava no chão, olhando para a mão coberta de sangue, seu próprio sangue. Mas, apesar disso, ele manteve-se inalterado, pois sabia que o rito de iniciação era assim. Seu dedo anelar esquerdo foi cortado, como forma de representar o comprometimento e a ligação que agora tinha com seus novos mestres.
Robert, após sair de sua casa em busca de vingança, decidiu que antes de conseguir descobrir alguma coisa sobre a cigana ou o homem que matara sua esposa, decidiu que precisava de treinamento. Portanto, retornou à velha cidade, reencontrando contatos especiais, que poderiam inseri-lo numa fraternidade de assassinos que existia desde os tempos antigos, os famosos Hashshashin. Chegou ao prédio, que tinha aparência de um prédio comercial comum, mas que escondia a tão antiga fraternidade. Robert sabia que os códigos de honra e conduta eram extremamente rigorosos, e que ele precisaria de vários anos para se tornar, de fato, um profissional, mas isso não o incomodava, pois ele estava determinado a vingar sua esposa e atingir a tão esperada paz. Entrando no prédio, deu início à sua caçada.

sábado, 2 de julho de 2011

A Caçada De Robert: Capítulo 2 - Promoção

Por: Marcelo Berquó
Robert treinava no pátio da fraternidade. Os treinamentos eram diários e árduos; porém, ele sabia que para atingir seu objetivo, ele deveria se esforçar ao máximo. Durante esses treinos, Robert aprendia a se mover silenciosamente, usando as sombras como proteção natural. As armas de fogo eram seus principais instrumentos de morte, e a cada dia ele se tornava perito em vários tipos. Seus treinos variavam desde a utilização de facas curtas e pistolas até rifles sniper e lança-mísseis, para alvos mais resistentes, ou que se utilizassem algum meio de transporte blindado.
Assim seguia sua vida, seus treinamentos e, é claro, as doutrinas da fraternidade. No dia em que Robert, supervisionado por seu mestre, conseguiu atingir um alvo do tamanho da cabeça de um prego a uma distancia de 300 m usando apenas uma pistola, ele foi promovido. De aprendiz, passou a mestre. De iniciante, passou a assassino. E logo nesse dia, já recebeu sua primeira missão. Começaria de leve, apenas para aprimorar suas habilidades: um traficante de drogas que causava problemas durante a madrugada em um pequeno beco que ficava atrás do prédio onde morava por ora. Um alvo fácil, desavisado, seria moleza.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Caçada De Robert: Capítulo 3 - O Trabalho No Beco

Por: Marcelo Berquó
No ápice da madrugada, uma sombra percorria sorrateiramente os muros do beco imundo e fétido. Era Robert, indo em direção ao seu primeiro alvo: um homem esquelético e sujo, que vendia drogas e causava alvoroço naquela região. Robert tinha nojo desse tipo de sujeito, e justamente por isso, achou que era o trabalho perfeito para começar sua jornada.
Quando Robert avistou o pobre diabo, pulou em uma pilha de sacos de lixo, na intenção de não fazer barulho. Mas os sacos estavam cheios de vidro e metal, restos do campo de treinamentos da fraternidade, o que alertou o traficante à presença de Robert. Com os planos frustrados, e o sangue borbulhando por causa do tipinho parado à sua frente, Robert fez um movimento quase imperceptível, para sacar a faca da manga. O homem não percebeu, por isso permaneceu parado, apenas observando. Robert avançou, com uma fúria crescente no olhar e rasgou a barriga do moribundo com a pequena lâmina. Tripas vermelhas rolaram pelo chão, e o homem caiu, segurando o que lhe restava de vida até atingir o chão, com um barulho grotesco. Robert, não saciado em sua fúria, resolveu descarregar um pente de sua Desert Eagle no cadáver, começando pela cabeça. Ao fim da bagunça, uma chuva torrencial começou a cair, lavando o beco e carregando o que restava do vagabundo para o bueiro mais próximo. Na chuva, Robert não conteve um sorriso de triunfo, e se fundiu às sombras da noite, não sem antes deixar talhado no corpo da vítima o que viria a ser sua marca registrada: um belo par de seios, cortados por um raio vermelho.