
Na
manhã seguinte, após se levantar, Robert notou que um corvo estava pousado em
sua janela. Ficou ali parado, observando a escuridão e a tristeza daquele
pássaro, aquele maldito pássaro negro. Lembrou-se de Edgar Allan Poe em seu
conto: “Depois essa ave negra, seduzindo
meu triste semblante, acabou por me fazer sorrir, pelo sério e severo decoro da
expressão por ela mostrada. ‘Embora seja raspada e aparada a tua crista’, disse
eu, ‘tu, covarde não és nada. Ó velho e macabro Corvo vagando pela orla das
trevas! Dize-me qual é teu nobre nome na orla das trevas infernais! ’. E o
Corvo disse: ‘Nunca mais.’”
Assim
como no conto, ele sorriu ao ver a ave maldita pousada em sua janela. E assim
como dissera o corvo, “Nunca mais”. Robert nunca mais teria uma família, nunca
mais veria sua esposa de novo, nunca mais conseguiria ser feliz. Com raiva em
seu coração, Robert olhou na direção do corvo, e invejou aquele animal que
podia ir a qualquer lugar que quisesse com suas asas. A ave saiu voando em direção
ao céu cinzento, desaparecendo de vista em seguida. Robert pensou em como era
miserável, e devaneava sobre a sua própria existência, sua inútil e vã
existência naquele lugar, e se questionava se ele era tão importante ao mundo
para continuar vivendo.

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