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sábado, 9 de julho de 2011

O Destino De Robert: Capítulo 2 - O Corvo

Por: Marcelo Berquó
Na manhã seguinte, após se levantar, Robert notou que um corvo estava pousado em sua janela. Ficou ali parado, observando a escuridão e a tristeza daquele pássaro, aquele maldito pássaro negro. Lembrou-se de Edgar Allan Poe em seu conto: “Depois essa ave negra, seduzindo meu triste semblante, acabou por me fazer sorrir, pelo sério e severo decoro da expressão por ela mostrada. ‘Embora seja raspada e aparada a tua crista’, disse eu, ‘tu, covarde não és nada. Ó velho e macabro Corvo vagando pela orla das trevas! Dize-me qual é teu nobre nome na orla das trevas infernais! ’.  E o Corvo disse: ‘Nunca mais.’”
Assim como no conto, ele sorriu ao ver a ave maldita pousada em sua janela. E assim como dissera o corvo, “Nunca mais”. Robert nunca mais teria uma família, nunca mais veria sua esposa de novo, nunca mais conseguiria ser feliz. Com raiva em seu coração, Robert olhou na direção do corvo, e invejou aquele animal que podia ir a qualquer lugar que quisesse com suas asas. A ave saiu voando em direção ao céu cinzento, desaparecendo de vista em seguida. Robert pensou em como era miserável, e devaneava sobre a sua própria existência, sua inútil e vã existência naquele lugar, e se questionava se ele era tão importante ao mundo para continuar vivendo.

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