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terça-feira, 8 de maio de 2012

Pinky - Morsas e Diamantes

Por: Marcelo Berquó

Todos no escritório do Tadeu estavam muito preocupados com a demora do Almeida. O Marcelo tremia a perna, o Arthur roía as unhas, o Pinky andava de um lado pro outro, o Tadeu se balançava pra frente e pra trás na cadeira. Resolveram ligar pro telefone do Almeida, nada. Ligaram pro escritório do Morsa, nada. A sala nos fundos já estava preparada pra receber o Jorge, mas nada do Almeida dar notícia. Até que o Marcelo não aguentou mais e disse:

- Chega! Chega dessa merda! Arthur, bora, vamo ver que que tá acontecendo naquele prédio maldito. Pinky, fica aqui pro caso de acontecer qualquer merda. Vamo lá.

- Bora. Fica de olho em tudo aí hein, Pinky.

E foram os dois, atravessaram a rua e entraram no prédio. Já na entrada viram que tinha alguma coisa errada, porque não tinha ninguém. Tentaram chamar o elevador, mas não funcionava. Foram pela escada. O escritório do Jorge era no sétimo andar, então foi uma subida cansativa. Chegaram lá em cima, mas a porta da escadaria tava emperrada. Deram uns chutes, mas a porta não cedia. Olharam em volta, nenhuma janela. O jeito era atirar. Atiraram, a maçaneta caiu e a porta abriu. Entraram pelo corredor, não tinha ninguém. A porta do escritório do Morsa tava toda destruída. Entraram. Sangue no carpete, uma poça enorme que vinha do banheiro. Abriram a porta e viram o Almeida todo baleado, com um bilhete cobrindo o rosto:

NINGUÉM SE METE COMIGO, SEUS MERDINHAS. FICAM AÍ CHUPANDO ROLA DE GRINGO EM VEZ DE RESOLVER OS MEUS PROBLEMAS. AGORA VOCÊS VÃO TER QUE SE VIRAR PRA ME DAR O DINHEIRO QUE ESTAVA COMBINADO. VOCÊS TÊM 48 HORAS.

- MERDA! FILHO DA PUTA! GORDO DESGRAÇADO! PUTA QUE PARIU, MERMÃO, É HOJE QUE EU MATO ESSE VIADO! CADÊ ELE? EU VOU AGORA ACHAR ESSE DESGRAÇADO! ME SOLTA, CARALHO!

- CALMA, ARTHUR! CALMA, PORRA! O cara fudeu com a gente, mas ele vai ter o troco, ô se vai. Ele não tem nem ideia de com quem ele mexeu. (disca) Oi, Gabi. É, vou precisar de você aqui agora, se possível. Rua da Bahia, do lado dos Correios. É uma escadinha azul, não tem erro. Ok, tô te esperando. Um beijo, Gabi. (desliga) Você vai conhecer a psicopata mais fria que você já viu. E com certeza as aparências enganam.

A Gabi é amiga de faculdade do Marcelo, se formaram juntos, mas tomaram rumos diferentes. Ela foi advogar, mas depois de um tempo cansou daquela ladainha toda e resolveu ser uma “justiceira” no mundo do crime. É uma mulher linda, baixinha, cabelos e olhos castanhos. Ninguém imagina o que se esconde por trás daquela carinha de criança. E foi com essa cara que ela chegou no escritório do Tadeu. Foi uma surpresa pra todos. Correu e abraçou longamente seu antigo amigo, e começou a perguntar:

- Então, Berquozito, como vai a vida?

- Vai bem, dona Gabriela, e a sua? Matando muito?

- Sabe como é né? Mas me conte, como posso ajudar vocês?

- Então, Gabi, vamos começar do começo. Aquele em pé ali se chama Pinky, veio pra cá da Inglaterra a pedido do chefe. Parece que o crack de BH é melhor que o do resto do mundo e ele veio pra cá arrumar uma boa quantidade pra vender na terra da rainha. Não me pergunte por que crack, também não consigo entender. Enfim, ele chegou aqui e foi direto comprar as paradas com o pessoal da Pedreira, mas eles acabaram com ele, levaram tudo que ele tinha e deixaram ele jogado na Lagoinha. Nisso, veio o chefe dele lá de Londres pra pedir ajuda de um filho da puta aí, tal de Jorge. Certeza que você já trombou com ele no tribunal. Delegado corrupto, gordo, bigodudo. Esse cara só manda os outros fazer, nunca resolve nada, e quando caiu na mão dele esse problema com o nosso amigo ali, mandou pro Tadeu, que é o narigudo ali na mesa, e o Tadeu pediu pra mim e pro Arthur, o barbudo puto da vida ali. O problema é que a gente tinha uma pendência com esse Jorge, e íamos resolver logo pra ficar livre desse cara, só que antes disso surgiu a questão do crack. Resumo da ópera, ele matou todos os traficantes, pegou todo o crack pra ele, matou um amigo nosso e agora quer nosso dinheiro. É aí que você entra. Precisamos encontrar esse cara e tirar umas informações dele, depois você pode fazer o que quiser. Tá dentro?

- Claro, baby! Adoro matar corruptos, são os que sangram melhor! É só me garantir que eu vou participar de tudo a partir de agora!

Todos ficaram olhando pra ela, sem conseguir acreditar. Como podia aquela coisinha tão inofensiva ser tão cruel? De repente o Arthur deu um pulo:

- Caraca, já tava esquecendo! Olha o que que eu achei lá, atrás da porta do Morsa! (mostrou um diamante enorme, do tamanho de um punho pequeno) Esse cara tá de sacanagem com a nossa cara. Tem mais coisa aí do que a gente imagina.

E todo mundo ficou lá, olhando aquele diamante e pensando “que merda será que tá acontecendo?”, até que o Marcelo falou:

- Cacete, a gente tem que achar esse cara é agora. Tadeu, sabe de algum lugar que ele pode ter ido pra se esconder?

- Sei, pior que sei. Ele tem uma fábrica de tecido lá pros lados de Venda Nova. Bora lá, eu ensino o caminho.

- Vamo lá então.

Foram os cinco pro carro e, ao som do Led Zeppelin, partiram em direção à vingança.



Nota do autor:
- Venda Nova é um bairro na região norte de Belo Horizonte;

Pinky - A Vingança Nunca É Plena...

Por: Marcelo Berquó

O sangue. O cheiro terrível de sangue com fogo e gasolina. O incêndio já consumia metade da fábrica. Ele olhou em volta e viu todos os seus amigos no chão, alguns tossindo, alguns apenas respirando. Sua cabeça doía pra caralho, e ele não conseguia acreditar. Não podia ser verdade. Tudo tinha dado terrivelmente errado. Quando ele falou com cada um, todos acordaram. Menos uma pessoa, caída em uma enorme poça de sangue. Ele não acreditava. Era tudo culpa dele. Sacudindo e gritando, ele tentava acorda-la:

- Gabi! Acorda, Gabi! GABI! LEVANTA! Por favor, Gabi, não faz isso comigo...

Foi inútil. Ela não ia acordar. Com a fala engasgada pelo choro desesperado, ele ficou paralisado, pensando que se ele não tivesse chamado, a Gabi ainda estaria viva. Os outros o levantaram pelo braço e correram pra fora com ele. 5 segundos depois disso, uma enorme explosão aconteceu dentro da fábrica, e tudo foi pro chão.

(Marcelo gritou, inconsolável) – GABI! NÃO! MERDA! FOI TUDO MINHA CULPA! (e continuou chorando)

O Arthur falou:

- Marcelo, calma, cara. Claro que não foi culpa sua, foi tudo culpa daquele gordo filho da puta.

- NÃO, PORRA! FOI MINHA CULPA! SE EU NÃO TIVESSE LIGADO PRA ELA, ELA NÃO TINHA MORRIDO AQUI HOJE, PORRA! EU SOU UM IMBECIL!

- CALMA, CARA! (o Arthur dá um tapa na cara do Marcelo) Calma, porra. Eu gostei dela assim que ela apareceu, também tô triste pra caralho, puto da vida. Mas agora não tem o que fazer, chorar, gritar ou se culpar, nada disso vai resolver, cara. Agora a gente tem é que achar aquele escroto e chutar o rabo dele.

- P-p-p-puta q-q-que p-p-p-pariu, f-f-f-filho da p-p-puta, o tapa doeu pra caralho. T-t-tá certo, a gente acha esse desgraçado. Mas primeiro eu tenho que entender tudo que aconteceu, cara. Tadeu, você tem memória boa. Que que rolou? Tá tudo meio confuso na minha cabeça, passando em flashes.

E então o Tadeu contou pra eles o que tinha acontecido:

- A gente chegou na fábrica e já era tiro pra tudo que é lado. Depois de passar pela galera na porta, a gente entrou. O Morsa e mais uns cinco caras tavam lá dentro, e eles já começaram a atirar também. Os caras morreram rápido, ficou só o Morsa. Aí a gente conseguiu render e amarrar ele. Foi aí que tudo deu errado. O nó ficou uma bosta e o filho da puta se soltou, agarrou um pedaço de pau e deu porrada na sua cabeça e na do Arthur. Desarmou o Pinky e eu e apontou uma arma pra Gabi. Ela tentou tirar a arma dele, mas ele foi mais rápido, e deu um tiro na barriga dela. Depois ele ameaçou a gente, eu e o Pinky, e apagou  ele com uma coronhada na cabeça. Com um monte de gasolina, ele encharcou os tecidos, as máquinas, o chão, as paredes, tudo, tacou fogo na merda toda e foi embora. Depois disso, eu apaguei com a fumaça, mas você acordou bem rápido e conseguiu salvar a gente. Pena que a Gabi não deu sorte. Mas relaxa, esse gordo escroto vai ter o que merece!

E o Marcelo disse:

- Ô, se vai! Esse filho da puta vai se fuder bonito na minha mão!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Destino De Robert: Capítulo 5 - A Vingança (Parte 1)

Por: Marcelo Berquó
Caído no chão, segurando o ponto um pouco acima de se umbigo, onde recebera o tiro, o homem olhava para cima, na direção do rosto de Robert. Ele sabia por que Robert viera até ele, sabia por que estava no chão, se esvaindo em sangue, sabia o motivo de sua morte iminente. Ele era, afinal, um assassino contratado por uma misteriosa cigana para que pudesse matar a esposa do homem que via a sua frente, e que muito em breve passaria de homem injustiçado a carrasco cruel.
Robert havia retornado à sua antiga cidade com o objetivo de se vingar pela morte de sua esposa. Primeiro, procuraria o seu assassino, e depois sairia à caça da cigana maldita. Descobriu que o homem que matara sua esposa era um assassino profissional, e resolveu contratar seus serviços. Ao se encontrarem, Robert teve uma curta conversa com ele antes que revelasse quem realmente era. Ao ver-se encurralado, o assassino confessou que tinha sido contratado pela cigana, e se ofereceu a ajudar Robert com sua vingança se este o deixasse viver. Robert concordou com os termos do assassino, que lhe deu o endereço, o nome e o telefone da cigana. Depois disso, Robert atirou na barriga do homem, dizendo “Você realmente não esperava que eu fizesse um acordo com o assassino de minha esposa, não é?” Agora, Robert olhava para o homem que agonizava no chão á sua frente, e não pôde deixar de sorrir ao ver que sua vingança finalmente se concretizaria. Saiu, agradecendo ao assassino e deixando-o para morrer. Entrou em seu carro com apenas uma coisa em mente: matar a cigana.

domingo, 26 de junho de 2011

O Destino De Robert: Capítulo 6 - A Vingança (Parte 2)

Por: Marcelo Berquó
Robert chegou ao endereço que o assassino havia lhe dado entes de morrer e, assim como ele dissera, a casa da cigana era muito bonita, com três andares de altura, várias janelas e a pintura de uma cor verde-mar que praticamente reluzia. Robert subiu os cinco pequenos degraus que ficavam entre a porta da casa e a calçada, e bateu á porta três vezes. Algum tempo depois, uma mulher de longos cabelos negros e uma pele morena que lembrava as mais belas mulheres hispânicas veio atendê-lo. A princípio, ela não o reconheceu, mas quando ele a empurrou para dentro, entrando e fechando a porta em seguida, ela tinha certeza de quem era aquele homem: Robert Crowley.
Robert imediatamente sacou Jules e apontou-a para a cigana, que ficou completamente sem ação. Mas, antes de puxar o gatilho e finalmente ter sua tão esperada vingança, Robert perguntou à cigana por que ela havia feito aquelas coisas tão horríveis, e como ela sabia seu nome se nunca haviam se visto antes. A cigana, com os olhos cheios d’água, disse: “Robert, provavelmente você não vai acreditar em mim, mas nós fomos amantes em vidas passadas. E você era um homem cruel, adúltero e beberrão. Mas eu te amava tanto que não conseguiria viver sem tê-lo. Então, quando você morreu, meu mundo acabou. Eu me matei, com a promessa de que voltaria a te encontrar em breve. E aqui estou Robert! Eu sei o quanto você me odeia e sei que não devia ter tomado uma atitude tão drástica, mas eu fui movida somente por uma coisa: o amor! Perdoe-me, Robert. Por favor, perdoe-me e me aceite como sua amada!” Robert, lançando um olhar de desprezo para a cigana, disse: “Eu sinto muito... quer dizer, não, não sinto porra nenhuma! Eu nunca perdoaria uma assassina por um motivo tão idiota e fútil como esse. Ainda mais se essa assassina é a pessoa que matou a minha esposa. Então, eu quero é que você morra sua piranha maldita!” E dizendo essas palavras, Robert descarregou sua arma na cabeça e no resto do corpo da cigana, que caiu sem vida no chão, formando uma poça de sangue ao seu redor e várias manchas nas paredes à sua volta. Robert se dirigiu ao quarto da cigana, se jogou na cama e finalmente, depois de vários anos, conseguiu sua primeira noite realmente tranquila de sono.