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sábado, 12 de maio de 2012

Pinky - Hell Horizonte

Por: Marcelo Berquó

Pinky olhou em volta e não reconheceu o lugar. Era um lugar imundo, cheio de mendigos fedorentos que falavam uma língua que ele não conhecia e fumavam algo (provavelmente crack) em cachimbos estranhos. Seu terno estava sujo e rasgado, não conseguia achar sua gravata e nem seu chapéu Panamá, e as poucas placas que via estavam rabiscadas. Caminhou um pouco e percebeu que estava sob um viaduto bastante movimentado, e, olhando para o céu, percebeu que a noite se aproximava. À sua volta, viu peixes gigantes em postes metálicos e uma passarela à sua direita. Tentou se comunicar com os pedestres, mas ninguém lhe dava atenção, e quem dava não compreendia o que ele falava. Nunca foi um cara de se desesperar, mas naquele momento era exatamente o que estava acontecendo.

Na mesma hora, há alguns quilômetros dali, Jorge estava sentado à sua mesa com um gringo e um empregado seu, atuando como tradutor, à sua frente. Jorge era um policial corrupto, gordo e careca com um enorme bigode amarelo de tabaco e buceta. Parecia uma morsa, e esse era exatamente o seu apelido. O Morsa estava lá sentado, falando com o gringo e pensando “Quem esse negão pensa que é? Com essa tatuagem na cara e um brinquinho escroto na orelha, mais parece uma puta da Guaicurus”. Por causa desse último pensamento, deixou escapar um risinho bem no momento em que o tradutor lhe falava da proposta do gringo, que olhou pra ele com cara de que queria mata-lo. Pediu desculpas e pediu pro empregado repetir, e assim ele o fez:

- Ô, seu Mor...é, Jorge...ele falô que qué que cê ajuda ele num trem aí de crack. Diz ele que um cara que trabalha pra ele veio pra cá resolvê, mas fez merda e acabou caindo lá na Lagoinha sem um Real no bolso e sem falar português. Pediu pra ver se ocê dá um jeito.

- Porra, Almeida, vai tomá no cu, cara! Eu fico aqui me fudendo o dia inteiro nessa porra desse Maletta pra quê? Pra vim um féadaputa dum gringo com uma porra duma tatuagem NA CARA e um brinco de bicha me pedir pra tirar o namoradinho dele dos nóia? Ah, vai pra puta que pariu, cara, na boa! Manda ele ir caçar o Tadeu que essa porra quem resolve é ele!

Assim que o Morsa começou a gritar, o negro Earl se levantou da cadeira e ameaçou ir embora se não ouvisse uma explicação imediatamente. Almeida se acalmou o máximo que pôde e explicou:

- I’m sorry, Mr. Earl. My boss is a little upset about some personal problems, and he basically said that your problem is out of his reach, but he said he knows someone who can help you. His name is Adriano Tadeu, and his office is just across the street, near the postal service. I can take you there if you want to.

- Thanks, Mr. Almeida, I’ll go with you. Tell your boss to calm the fuck down, because next time, I won’t be so kind.

- Chefe, ele falou que o senhor é um camarada gente fina.

- Tá bom, Almeida, manda ele à merda também. Agora vai logo, porra! Tô cansado dessa tatuagem na minha cara!

E assim, Almeida e o negro saíram do Edifício Maletta, atravessaram a Rua da Bahia e subiram uma pequena escada ao lado de uma agência dos Correios, para chegarem numa porta com uma plaquinha velha e enferrujada com os seguintes dizeres:

ADVOGADOS ASSOCIADOS ADRIANO TADEU E CIA.
SÓ NÃO RESOLVO UNHA ENCRAVADA

Almeida bateu na porta, esperou a resposta, e eles entraram no pequeno inferno na Terra que era o escritório do Tadeu.



Notas do autor:
- Edifício Maletta é um dos prédios comerciais mais antigos (e movimentados) do centro de Belo Horizonte;
- Lagoinha é uma região limítrofe do centro de Belo Horizonte;
- Guaicurus é uma rua no centro de Belo Horizonte famosa pela oferta de diversas opções de "entretenimento adulto";

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pinky - As Melhores Putas da Pedro II

Por: Marcelo Berquó

- 300 reais? Puta que pariu! Qual seu nome mesmo, querida?

- É Judith, amor.

- Judith! Não fode comigo, Judith! Pensando melhor...fode sim, entra aí.

(Um telefone toca)

- Alô! Tadeu? Fala, Tadeu, beleza? Que que cê manda, véi? O quê? Tá de sacanagem, sério isso? Mas agora? Quê? Barulho? Ah, é o Arthur. Porra, dando o cu é que não tá né! Comendo uma puta. É, porra, no meu carro. Vai se fuder, Tadeu! Viado é a puta que te pariu! Foda-se! Tá, é pra ir agora? Ok, um abraço. (desliga) Arthur, goza logo aí que a gente tem serviço. Judith, toma aí 500 e depois eu volto pra uma chupada.

- Ah, que foda boa! Gostosa essa Judith hein, de onde você conhece?

- Cara, cresci do lado da Pedro II, de onde você acha?

- Hahahaha FDP! Mas e aí, que que o Tadeu queria?

- Cara, ele disse que o Jorge mandou o Almeida e um negão pro escritório dele pedindo ajuda. Diz que um comparsa do negão veio pra cá resolver uma parada de crack e tá todo fudido lá na Lagoinha. Pediu pra gente ir buscar o cara e dar uma ajuda.

- Porra, e como a gente vai saber?

- Cara, acho que não tem muito inglês de terno na Lagoinha não.

- Hahahaha vai tomar no cu, cara! Liga essa banheira aí e vamo vazar.

Pinky não conhecia os homens que chegaram num carro preto para busca-lo, mas pensava neles com tremenda gratidão. O que estava dirigindo perguntou (vou colocar os diálogos em português a partir de agora, mas imagine que os gringos falam inglês, e quem conversa com eles também):

- Cara, você tá bem? Seu chefe mandou a gente aqui pra te ajudar, entra aí. Meu nome é Marcelo e esse é meu sócio, Arthur. Você é muito louco, cara, tem sorte de estar vivo.

- Obrigado, cara. Não sei quanto tempo mais eu ia aguentar ficar vivo se vocês não tivessem aparecido. Meu nome é Pinky. Você disse que meu chefe te mandou? Que porra ele tá fazendo aqui?

- Sei lá, bicho. Pergunta pra ele, eu te levo lá.

E assim foram os três, dentro do Vectra, em direção ao escritório do Tadeu. O escritório do Tadeu é uma sala quente no centro de Belo Horizonte, com janelas pequenas que não abrem, um ventilador de teto velho que não funciona e toda coberta de carpete que um dia foi bege, e hoje estava mais pra laranja sujo do inferno. O Tadeu é um cara magro e narigudo, comprido, parecendo uma girafa. O serviço de advocacia era fachada, porque o Tadeu é o tipo de sujeito que conserta qualquer merda que você pedir pra ele, menos problema na justiça. A mesa dele fica no lado oposto à porta, e é a primeira coisa que todo mundo que entra vê.

Assim que os três chegaram lá, viram a mesa do Tadeu com o Tadeu, o Almeida e um negão de tatuagem na cara olhando pra eles. O negão, assim que viu Pinky, começou a gritar com ele, puto da cara:

- PORRA, FILHO DA PUTA! MALUCO DESGRAÇADO! VOCÊ FICOU LOUCO? QUASE PÔS TUDO A PERDER, SEU MERDA! EU DEVIA TE MATAR AGORA MESMO! COMO VOCÊ FAZ UMA COISA DESSAS? MALUCO!

Pinky ficou lá, recebendo os xingamentos, consciente da merda que tinha feito. Assim que o Chefe terminou de gritar com ele, foi em sua direção e lhe deu um abraço, o que deixou todos, inclusive o próprio Pinky, muito confusos. No meio disso tudo, o Marcelo queria saber que merda estava acontecendo e quanto ele ia ganhar por isso:

- Ok, ok, salvamos o cara que vocês pediram, agora eu quero saber que merda tá acontecendo aqui, o que mais eu vou ter que fazer e quanto eu vou ganhar no final? Almeida, qual é a parada?

- Então, cara, o negão aí se chama Earl e o parceiro dele, como você já sabe, é o Pinky. Eles vieram da Inglaterra num esquema de tráfico internacional. Pelo jeito o crack daqui é muito superior, e eles querem comprar uma porrada pra vender lá.

- Porra, eles saíram lá da puta que pariu e vieram pro inferno pra comprar CRACK? Eles sabem que essa merda não vale nada né?

- Aí é que tá, cara. Lá na Inglaterra, é muito raro ter, e o que tem lá é uma bosta. Se bem que não existe crack bom né. De todo jeito, o nosso aqui vale ouro pra eles, e eles querem muito. Aí que entram vocês dois. Vocês vão ajudar nosso camarada Pinky aqui a fazer as compras. Eles ofereceram uma grana boa pra cacete.

- Valor, Tadeu. Eu quero saber quanto a gente ganha pra se rebaixar a esse nível.

- 1 milhão de libras. Pra cada um.

- Porra, isso é dinheiro pra caralho, Tadeu. Eu tô dentro. Arthur?

- Porra, nem precisa perguntar, cara!

- Então é isso, caras. Agora façam o favor de levar nosso amigo Earl aqui pro aeroporto, que ele tem coisa pra resolver na Inglaterra. Pode ser o Carlos Prates mesmo que ele tem um jatinho lá. Depois vocês pegam o Pinky e vão com ele praquele apartamento seu.

- Beleza. Vambora, Arthur.

- Vamo lá, Belchior.

- Hahahahaha vai se fuder, cara!

E saíram.



Notas do autor:
- Avenida Pedro II é uma das vias de acesso ao centro de Belo Horizonte

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Pinky - Disfarce-me Se For Capaz

Por: Marcelo Berquó

No apartamento, Pinky, já de banho tomado e com uma roupa nova, descansava tranquilo no sofá, quando foi perguntado pelo Marcelo:

- Pô, cara, que que aconteceu com você? Como que cê foi parar lá na situação que a gente te encontrou?

- Eu vim pro Brasil a pedido do Chefe, ou Earl, como vocês o conhecem, pra comprar uma boa quantidade de crack, e pelo que me disseram, o da sua cidade é o melhor, por isso vim pra cá. Marquei de encontrar o cara que ia me vender num galpão perto de uma pedreira, mas quando eu cheguei lá, os filhos da puta me acertaram na nuca e eu apaguei. Depois só lembro de acordar naquele lugar onde vocês me acharam. Levaram todo o dinheiro que eu tinha, meu chapéu e minha gravata.

- É, conhecendo os traficantes da Pedreira, é bem capaz de terem levado outra coisa sua! Hahahahaha!

- Para com isso, cara. De todo jeito, agora falando sério, já que vocês vão me ajudar, eu preciso saber como. E o que eu devo fazer.

- Presta atenção, cara. Nós nunca lidamos com traficante, nunca compramos droga e nunca vendemos. É um exceção que a gente tá fazendo porque o dinheiro é muito bom. Então você não faz nada diferente do que a gente mandar, entendeu?

- Perfeitamente.

- Ótimo! Agora, Arthur, você ainda é amigo daquele cara dos disfarces?

- Claro. Você quer quantos?

- Três. A gente tem que parecer três pessoas completamente diferentes. Agora, se possível.

- É pra já! (disca no telefone) Alô, Elizeu? Ô, meu querido, tudo bem com você? Cara, tô precisando que você quebre um galho aqui pra mim. É, exatamente. Três. Você tem que mudar completamente a nossa cara. Pra gente se entrosar com uns traficantes aí. Da Pedreira. É, porra, Pedreira Prado Lopes! Coisa de trabalho, Elizeu. Não te interessa, porra! Vai arrumar ou não? É, agora, cara. Tá. Tá. Amanhã de manhã então hein. Mas sem ficar de gracinha com a minha cara. Tá bom. Falou, abraço. (desliga) Ele falou que amanhã de manhã ele tem tudo na mão.

- É bom mesmo. Esses caras que você arruma por aí, não sei não. Mas eu já vi o trabalho dele, então tá tranquilo. Pinky, vai beber alguma coisa?

- Se tiver uma cerveja aí, aceito.

- Tá na mão! Judith, traz três aí, meu amor! E não esquece daquela chupadinha que eu te falei! Depois pode ir trabalhar!

- Cara, eu ainda não acredito que você mora com uma puta. Dá pra acreditar, Pinky?

- Parece uma vida interessante.

- Hahahahahaha com certeza! Ô, Marcelo, liga pro Morsa aí, fala que a parada que ele pediu pra gente vai ter que esperar mais um pouco.

- Eu não, liga você! O filho da puta já quer comer meu cu com arroz, se eu falar que vai atrasar mais ainda, ele faz isso mesmo.

- Puta que pariu, hein. Só me fode. (disca) Alô, Mors...Jorge? Tudo bem, Jorge? Aqui é o Arthur que tá falando, lembra? Claro que lembra, como que pode esquecer um babaca como eu né? Então, Jorge, eu tô ligando pra avisar que aquela parada que o senhor encomendou vai demorar mais um pouco. É, eu sei que o senhor já pediu faz mais de um mês, mas é que surgiu um problema aqui pra gente. Com um gringo aqui, coisa à toa. Mais uma semana e a gente resolve. O quê? Que gringo? Um gringo aí. É, esse mesmo. Pois é, filho da puta. Babaca demais ele, eu sei. Não merece a nossa ajuda...não, peraí, merece sim, Jorge. O cara paga bem, Jorge. Eu sei, Jorge. Não, Jorge, não tô dando pra ele. Uma semana, prometo. Em uma semana seu problema tá resolvido. Ok, obrigado pelo seu tempo. (desliga) PUTA QUE PARIU, MARCELO! QUALQUER DIA EU MATO ESSE GORDO FILHO DA PUTA!

- Tá louco, cara?! Quer morrer? Matar o Jorge? Tá fumando o quê?

- Ah, mermão, esse cara é o maior filho da puta. Nêgo só respeita ele porque é polícia. Tô te falando, um dia a casa cai pro lado dele.

- Olha lá hein. Ô, Judith! Cadê as cervejas? Ah, até que enfim. Pode sair pra trabalhar, depois a gente resolve nosso assunto. Mas me conta aí, Pinky, como é esse esquema lá na Inglaterra? Aqui no Brasil você viu como é. Um querendo comer o outro.

- É exatamente assim, cara. Bandidagem é igual no mundo todo! Hahahahaha.

- Hahahahahaha verdade, cara, verdade.

E assim, ficaram conversando noite adentro, até que o cansaço ficou insuportável, e foram todos dormir. No dia seguinte, bem cedo, o celular do Arthur tocou. Era o Elizeu, falando que estava tudo pronto. Eles se aprontaram e foram encontrar com ele. O Elizeu era um cara negro magrelo, parecendo africano. Pelo que o Arthur contava, o cara gostava de cheirar açúcar. “Puta mania estranha” era o pensamento do Marcelo. O Elizeu falou:

- Mano, cês vão ficar irreconhecível. O trem aqui é bom. Bora lá, vai demorar um tiquin porque são trêis.

Quando ele terminou, realmente nenhum dos três se reconhecia no espelho. O Marcelo agora tava careca e narigudo, o Arthur tinha um tapa olho e metade da cara agora era barba, e o Pinky parecia ter o dobro de largura, e agora estava negro. Perfeito, ninguém ia saber. E assim foram os três na direção da Pedreira lidar com os traficantes. Chegaram lá, no mesmo galpão onde Pinky tinha se encontrado com eles, mas dessa vez estavam preparados. No caminho, tinham ligado pro Almeida pra pedir um suporte, e ele mandou dois caras pra ficar por perto caso acontecesse qualquer merda. Entraram no galpão e o que viram os deixou totalmente perplexos, sem conseguir entender.



Nota do autor:
- Pedreira Prado Lopes é a favela mais conhecida e mais perigosa de Belo Horizonte;

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pinky - A Queda

Por: Marcelo Berquó

O galpão era sangue por todos os lados. A princípio, tava todo mundo morto lá dentro. E o pior, não tinha nem sinal do crack que eles iam comprar. Até que um cara tossiu. Ele era negro e tinha o cabelo descolorido. Os três chegaram perto dele e o Marcelo foi quem falou:

- QUE MERDA É ESSA, CARA? QUE QUE ACONTECEU AQUI? PUTA QUE PARIU! QUEM FEZ ISSO?

- C-C-Cal-Calma, mano, já te isprico. Os cara chegaro aqui falano que era pra todo mundo deitá no chão sinão eles atirava. O Pêxe num quis nem sabê e matô um deis, aí eis cumeçaro a atirá e todo mundo morreu. Só ficô eu aqui.

- Quem fez isso, cara? Quem eram eles?

- Num sei não, sinhô, só lembro que quem falô foi um gordão cum bigodão sujo. Paricia aqueles bicho gordo dentuço.

- PUTA QUE PARIU, MARCELO! TE FALEI QUE ESSE CARA ERA SUJEIRA, MERMÃO! VOU AGORA MATAR ESSE DESGRAÇADO FILHO DA PUTA!

- CALMA, PORRA! Vamo resolver isso com calma. Ô, zé, qual seu nome? Acha que dá pra levantar aí e ajudar a gente?

- Ajudá? Prá quê? Num tenho mais vida. Meu nome num te interessa não.

- Então vai se fuder. (dá dois tiros na cabeça do “zé”) Babaquice do cacete. Arthur, vamo agora pro escritório do Tadeu. Liga pro Almeida, fala pra ele o que aconteceu aqui e fala que é pra ele arrumar qualquer desculpa pra sair daquele Maletta agora e encontrar com a gente.

- Agora! (liga pro Almeida) Ô, Almeida, porra! Que merda é essa cara? Sai aí do Maletta agora e vai pro escritório do Tadeu! Agora, porra! Como assim, que que aconteceu? O que aconteceu foi que aquele gordo escroto do seu chefe fudeu nosso esquema todo! Vai embora daí antes que ele te mate também, burro! AGORA, FILHO DA PUTA! CÊ PARECE SURDO, NUNCA VI! PORRA! (desliga) Vamo sair daqui antes que o cara resolva voltar pra ver se tem nêgo vivo aqui ainda. Acha os caras do Almeida e fala com eles pra seguirem a gente.

Os três saíram do galpão, se livraram dos disfarces, que não serviram pra merda nenhuma, e o Marcelo foi procurar os caras que o Almeida tinha mandado enquanto o Arthur e o Pinky voltavam pro carro. Depois de um tempo o Marcelo apareceu com dois caras, eles também entraram no carro, e foram os cinco pro escritório do Tadeu.

Chegando lá, o Marcelo já veio falando:

- Ô, Tadeu, tranca essa porta aqui e manda sua secretária falar que você não está. A gente tem uma merda gigante pra resolver agora. Almeida, como é que você não desconfiou daquele gordo babaca?

- Cara, sei lá! Eu não tava sabendo de nada! Mas e agora, que que a gente faz? Tadeu, como que a gente sai dessa?

- Porra, Almeida, vem perguntar pra mim? Eu sei lá, cara. O Jorge ainda é policial, mexer com ele é sujeira. A gente tem que dar um jeito de fazer tudo perfeito pra ninguém nunca chegar na gente. Se bobear, nem descobrir que ele morreu. Marcelo, Arthur, nenhum de vocês tem nenhuma ideia?

(o Marcelo falou) - Olha, eu até conheço uma pessoa, mas tem muito tempo que eu não falo com ela. Mas ela é perfeita pro nosso problema. (disca no telefone) Oi, Gabi? Gabi, é o Berquó, tudo bem? Quanto tempo né? Saudades de você! Olha só, tô ligando porque eu preciso da sua ajuda. É, isso mesmo. Ninguém pode saber. Sumir, completamente, mas antes a gente tem que falar com ele sobre umas coisas. Ok, eu te ligo de novo depois. Um beijo, Gabi. (desliga) Ela topou. Agora a gente tem que armar uma emboscada praquele desgraçado. Ele não pode saber. Almeida, você vai dar um jeito de apagar o filho da puta e a gente traz ele pra cá, e tem que ser logo, porque se não a gente perde a parada. Volta lá pro Maletta e finge que nada aconteceu. Se ele estiver lá, fala que sua mãe morreu, que você tava de caganeira, sei lá, inventa qualquer negócio aí. Vai, anda! Vocês dois vão com ele pra ajudar se o gordo der trabalho. Tadeu, aquela sala lá do fundo ainda tá vazia? A gente vai precisar dela.

- Tá sim. Vou lá arrumar tudo.

- Faz isso. A gente precisa de uma cadeira, umas algemas, alguma coisa pra ligar na rede elétrica, uma bacia d’água, um pano e um monte daqueles saquinhos de fazer sacolão. Esse filho da puta não escapa.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pinky - Morsas e Diamantes

Por: Marcelo Berquó

Todos no escritório do Tadeu estavam muito preocupados com a demora do Almeida. O Marcelo tremia a perna, o Arthur roía as unhas, o Pinky andava de um lado pro outro, o Tadeu se balançava pra frente e pra trás na cadeira. Resolveram ligar pro telefone do Almeida, nada. Ligaram pro escritório do Morsa, nada. A sala nos fundos já estava preparada pra receber o Jorge, mas nada do Almeida dar notícia. Até que o Marcelo não aguentou mais e disse:

- Chega! Chega dessa merda! Arthur, bora, vamo ver que que tá acontecendo naquele prédio maldito. Pinky, fica aqui pro caso de acontecer qualquer merda. Vamo lá.

- Bora. Fica de olho em tudo aí hein, Pinky.

E foram os dois, atravessaram a rua e entraram no prédio. Já na entrada viram que tinha alguma coisa errada, porque não tinha ninguém. Tentaram chamar o elevador, mas não funcionava. Foram pela escada. O escritório do Jorge era no sétimo andar, então foi uma subida cansativa. Chegaram lá em cima, mas a porta da escadaria tava emperrada. Deram uns chutes, mas a porta não cedia. Olharam em volta, nenhuma janela. O jeito era atirar. Atiraram, a maçaneta caiu e a porta abriu. Entraram pelo corredor, não tinha ninguém. A porta do escritório do Morsa tava toda destruída. Entraram. Sangue no carpete, uma poça enorme que vinha do banheiro. Abriram a porta e viram o Almeida todo baleado, com um bilhete cobrindo o rosto:

NINGUÉM SE METE COMIGO, SEUS MERDINHAS. FICAM AÍ CHUPANDO ROLA DE GRINGO EM VEZ DE RESOLVER OS MEUS PROBLEMAS. AGORA VOCÊS VÃO TER QUE SE VIRAR PRA ME DAR O DINHEIRO QUE ESTAVA COMBINADO. VOCÊS TÊM 48 HORAS.

- MERDA! FILHO DA PUTA! GORDO DESGRAÇADO! PUTA QUE PARIU, MERMÃO, É HOJE QUE EU MATO ESSE VIADO! CADÊ ELE? EU VOU AGORA ACHAR ESSE DESGRAÇADO! ME SOLTA, CARALHO!

- CALMA, ARTHUR! CALMA, PORRA! O cara fudeu com a gente, mas ele vai ter o troco, ô se vai. Ele não tem nem ideia de com quem ele mexeu. (disca) Oi, Gabi. É, vou precisar de você aqui agora, se possível. Rua da Bahia, do lado dos Correios. É uma escadinha azul, não tem erro. Ok, tô te esperando. Um beijo, Gabi. (desliga) Você vai conhecer a psicopata mais fria que você já viu. E com certeza as aparências enganam.

A Gabi é amiga de faculdade do Marcelo, se formaram juntos, mas tomaram rumos diferentes. Ela foi advogar, mas depois de um tempo cansou daquela ladainha toda e resolveu ser uma “justiceira” no mundo do crime. É uma mulher linda, baixinha, cabelos e olhos castanhos. Ninguém imagina o que se esconde por trás daquela carinha de criança. E foi com essa cara que ela chegou no escritório do Tadeu. Foi uma surpresa pra todos. Correu e abraçou longamente seu antigo amigo, e começou a perguntar:

- Então, Berquozito, como vai a vida?

- Vai bem, dona Gabriela, e a sua? Matando muito?

- Sabe como é né? Mas me conte, como posso ajudar vocês?

- Então, Gabi, vamos começar do começo. Aquele em pé ali se chama Pinky, veio pra cá da Inglaterra a pedido do chefe. Parece que o crack de BH é melhor que o do resto do mundo e ele veio pra cá arrumar uma boa quantidade pra vender na terra da rainha. Não me pergunte por que crack, também não consigo entender. Enfim, ele chegou aqui e foi direto comprar as paradas com o pessoal da Pedreira, mas eles acabaram com ele, levaram tudo que ele tinha e deixaram ele jogado na Lagoinha. Nisso, veio o chefe dele lá de Londres pra pedir ajuda de um filho da puta aí, tal de Jorge. Certeza que você já trombou com ele no tribunal. Delegado corrupto, gordo, bigodudo. Esse cara só manda os outros fazer, nunca resolve nada, e quando caiu na mão dele esse problema com o nosso amigo ali, mandou pro Tadeu, que é o narigudo ali na mesa, e o Tadeu pediu pra mim e pro Arthur, o barbudo puto da vida ali. O problema é que a gente tinha uma pendência com esse Jorge, e íamos resolver logo pra ficar livre desse cara, só que antes disso surgiu a questão do crack. Resumo da ópera, ele matou todos os traficantes, pegou todo o crack pra ele, matou um amigo nosso e agora quer nosso dinheiro. É aí que você entra. Precisamos encontrar esse cara e tirar umas informações dele, depois você pode fazer o que quiser. Tá dentro?

- Claro, baby! Adoro matar corruptos, são os que sangram melhor! É só me garantir que eu vou participar de tudo a partir de agora!

Todos ficaram olhando pra ela, sem conseguir acreditar. Como podia aquela coisinha tão inofensiva ser tão cruel? De repente o Arthur deu um pulo:

- Caraca, já tava esquecendo! Olha o que que eu achei lá, atrás da porta do Morsa! (mostrou um diamante enorme, do tamanho de um punho pequeno) Esse cara tá de sacanagem com a nossa cara. Tem mais coisa aí do que a gente imagina.

E todo mundo ficou lá, olhando aquele diamante e pensando “que merda será que tá acontecendo?”, até que o Marcelo falou:

- Cacete, a gente tem que achar esse cara é agora. Tadeu, sabe de algum lugar que ele pode ter ido pra se esconder?

- Sei, pior que sei. Ele tem uma fábrica de tecido lá pros lados de Venda Nova. Bora lá, eu ensino o caminho.

- Vamo lá então.

Foram os cinco pro carro e, ao som do Led Zeppelin, partiram em direção à vingança.



Nota do autor:
- Venda Nova é um bairro na região norte de Belo Horizonte;