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domingo, 14 de agosto de 2011

Sina: Capítulo 7 - O Assaltante

Por: Marcelo Berquó 

Will passou a manhã inteira e parte da tarde elaborando sua próxima conversa com Catherine. Ele pretendia contar-lhe tudo, desde a infância na casa em que agora ela morava até o dia em que sua amada morrera e ele perdera a alma. Mas ficou apreensivo, pois Catherine poderia não acreditar e achá-lo louco.
Enquanto decidia o que fazer, ouviu passos apressados em seu jardim. Foi para a janela e notou que um homem tentava pular a cerca viva. Rapidamente pegou sua arma e foi para o lado de fora. Quando se aproximou do homem, que estava em pé no jardim, de costas para ele, Will disse: “Cretino! O que faz em minha casa? Eu contarei até três e quero você fora daqui, se não eu juro que atiro!” O homem se virou e Will pôde ver melhor seu rosto: era pálido, e tinha uma enorme cicatriz no supercílio esquerdo. Will o reconheceu como sendo o assaltante que espantara alguns dias atrás. O homem disse: “Acalme-se senhor, não quero causar confusão. Quero apenas conversar.” Will, já irritadíssimo, retrucou: “Eu não quero saber de conversa com um marginal como você. Já cansei de gente da sua laia. Agora, vire-se e saia já da minha casa! Eu não quero ser obrigado a puxar este gatilho!” O homem permaneceu imóvel. Ouviu-se um estrondo fulminante e o homem caiu com o rosto na neve fria.
Will tremia enquanto limpava o sangue do chão e jogava o corpo em um fosso nos limites de sua propriedade. Nunca antes ele havia precisado da arma, e nunca sentira tanto ódio em sua vida. Mas, ao mesmo tempo, nunca se sentira tão aliviado. Depois de se acalmar, tomou sua decisão: iria contar toda a verdade a Catherine.
Enquanto dirigia em direção à velha mansão, tentava pensar em algo para dizer sobre a noite anterior. Achou melhor conversar sobre coisas aleatórias antes, como já haviam feito. Chegando à casa de Catherine, Will se sentiu nervoso pela primeira vez em muito tempo.

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