
Will
passou a manhã inteira e parte da tarde elaborando sua próxima conversa com
Catherine. Ele pretendia contar-lhe tudo, desde a infância na casa em que agora
ela morava até o dia em que sua amada morrera e ele perdera a alma. Mas ficou
apreensivo, pois Catherine poderia não acreditar e achá-lo louco.
Enquanto
decidia o que fazer, ouviu passos apressados em seu jardim. Foi para a janela e
notou que um homem tentava pular a cerca viva. Rapidamente pegou sua arma e foi
para o lado de fora. Quando se aproximou do homem, que estava em pé no jardim,
de costas para ele, Will disse: “Cretino! O que faz em minha casa? Eu contarei
até três e quero você fora daqui, se não eu juro que atiro!” O homem se virou e
Will pôde ver melhor seu rosto: era pálido, e tinha uma enorme cicatriz no
supercílio esquerdo. Will o reconheceu como sendo o assaltante que espantara
alguns dias atrás. O homem disse: “Acalme-se senhor, não quero causar confusão.
Quero apenas conversar.” Will, já irritadíssimo, retrucou: “Eu não quero saber de
conversa com um marginal como você. Já cansei de gente da sua laia. Agora,
vire-se e saia já da minha casa! Eu não quero ser obrigado a puxar este
gatilho!” O homem permaneceu imóvel. Ouviu-se um estrondo fulminante e o homem
caiu com o rosto na neve fria.
Will
tremia enquanto limpava o sangue do chão e jogava o corpo em um fosso nos
limites de sua propriedade. Nunca antes ele havia precisado da arma, e nunca
sentira tanto ódio em sua vida. Mas, ao mesmo tempo, nunca se sentira tão
aliviado. Depois de se acalmar, tomou sua decisão: iria contar toda a verdade a
Catherine.
Enquanto
dirigia em direção à velha mansão, tentava pensar em algo para dizer sobre a
noite anterior. Achou melhor conversar sobre coisas aleatórias antes, como já
haviam feito. Chegando à casa de Catherine, Will se sentiu nervoso pela
primeira vez em muito tempo.

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